Ao longe, o fim do mundo
sex, sáb: 21h
Um grupo de terraplanistas parte rumo à Antártida para provar que a terra é plana. O já antes navegado apresenta-se como possibilidade de descoberta de uma nova verdade. Na travessia que vai da hipótese à verificação da prova relevam não a verdade mas as crenças que sobre ela têm, cada vez menos suportáveis. Os movimentos modernos de terraplanistas - em crescimento exponencial e paralelo ao das redes sociais - são um dos indicadores de que a Ciência, bastião da verdade na sociedade ocidental contemporânea, não é suficiente para fazer sentido do mundo. Contudo, se entregamos a verdade ao relativismo total ficamos facilmente à deriva, reféns de fenómenos sociais e políticos voláteis e opressores - como populismos e propagandas. Além do impacto político-social dos negacionismos da verdade, a escolha dos terraplanistas em particular interessa-nos como movimento de pensamento. Se por um lado nos parece absurdo o que defendem, por outro acreditamos que para fazer sentido do mundo devemos, tal como eles, pôr em causa o nosso sistema de crenças.
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Joana Pialgata
Vasco Barroso
Juventude e Desporto / Direção-Geral das Arte e pela Sociedade Portuguesa de Autores