Ridículas Cartas
05 e 06 Dez. 21:00 | 07 Dez. 19:00
Fernando Pessoa conheceu Ophélia Queiroz – a sua vespa, vespíssima – no escritório Félix, Valladas & Freitas em Lisboa, onde trabalhava como correspondente comercial, quando a jovem de 19 anos ingressou como a menina que escrevia “em todos os teclados”. O escritor desenvolveu, prontamente, um amor platónico pela garota “baixinha, bonitinha e sobretudo muito viva”. O namoro foi entabulado durante um corte de eletricidade na repartição, quando Pessoa enviou um bilhete a Ophélia, perante a circunstância inusitada de breu, pedindo-lhe que permanecesse no edifício. Assim que esbarrou com a moça, invocou Hamlet e proferiu: “Oh, querida Ofélia!”. E, assim, se originou o prefácio amoroso entre Pessoa & Cia. Heterónima e o seu Bebé, Bebézinho, desenovelando-se numa carreira bifásica: entre março e novembro de 1920, seguido de um hiato de 9 anos, e entre setembro de 1929 e janeiro de 1930. No final da primeira temporada do consórcio apaixonado, Pessoa escreve uma carta a Ophélia a 29 de novembro de 1920, terminando o ziguezagueante affair. E é nessa carta que já nos é permitido apurar a esfera do homem intoxicado pelo álcool e assombrado pela conclusão da sua obra literária sinuosa e inextricável.
RIDÍCULAS CARTAS emerge, assim, a partir de uma triagem minuciosa das cartas — escolhidas entre o vasto catálogo de epístolas enfatuadas entre Fernando Pessoa e Ophélia Queiroz — para instaurar um laboratório de ficções em torno do amor.
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